
Evolução das Redes Sociais
As redes sociais nasceram com um propósito essencialmente social - fortalecer as nossas relações interpessoais, encurtar distâncias e facilitar a comunicação. No entanto, ao longo do tempo, assistimos a uma evolução natural na forma como estas plataformas são utilizadas. Os espaços centrados na ligação entre pessoas passaram a ser moldados pela procura de interesses partilhados, gostos comuns e conteúdos personalizados.
TikTok: The New Cool Kid
Com esta mudança de paradigma o TikTok destacou-se como a plataforma ideal para responder às novas necessidades dos utilizadores.
Para além de ter tido um papel fundamental em tornar o vídeo o formato eleito para a partilha e consumo de conteúdo online introduziu a For You Page (FYP) que permite que cada utilizador tenha uma experiência única, baseada nos seus gostos e hábitos. Mais do que mostrar conteúdos de amigos ou conhecidos, o TikTok apresenta um fluxo constante de descobertas, dando visibilidade a criadores que, de outra forma, talvez nunca chegassem ao grande público.
Esta plataforma também popularizou o storytelling interativo, onde o utilizador não é apenas espectador, mas também participante. Através de duetos, comentários em vídeo, remixes e desafios, o conteúdo deixa de ser estático e passa a ser uma construção coletiva. Uma história pode começar num vídeo e continuar, transformar-se ou até contradizer-se em milhares de outros.
Democratização do Storytelling
Tudo isto fez com que o TikTok tivesse também um impacto a nível cultural e social, tornando-se palco de debates, de ativismo, de educação informal e de expressão artística, onde temas como saúde mental, identidade de género, ambiente ou política ganharam espaço, muitas vezes de forma acessível e criativa. O que antes estava confinado a especialistas ou figuras públicas, hoje pode ser transmitido por qualquer utilizador com um telemóvel e uma boa ideia.
Para além disso, o maior feito da plataforma foi esta democratização do storytelling. Antigamente, criar vídeos era um processo reservado a quem tinha acesso a recursos técnicos, formação ou tempo livre. Hoje, qualquer pessoa pode ter o seu espaço online, o que se traduz na forma como a Geração Z lida com a criação de conteúdo. Ao contrário das gerações anteriores, que vêem as redes sociais como um passatempo ou distração, para a Geração Z criar conteúdo não é um hobby, é uma extensão natural da sua identidade pessoal.
Gen Z e Autenticidade
Neste processo, a autenticidade tornou-se um valor central na forma como a Geração Z encara o consumo de conteúdo nas redes sociais. Estes nativos digitais valorizam conteúdos reais, imperfeitos, espontâneos - muitas vezes acima da estética altamente produzida. A ligação emocional criada por quem é “genuíno” supera, muitas vezes, os números de seguidores ou a qualidade técnica do conteúdo.
Esta busca pela autenticidade manifesta-se de várias formas: desde a aceitação da imperfeição e da vulnerabilidade na escrita, até à abordagem frontal de temas considerados tabu. A Geração Z prioritiza vozes diversas e perspectivas plurais, e tende a misturar humor com assuntos sérios, tornando questões complexas mais acessíveis.
Perante esta nova realidade, as marcas enfrentam um desafio e uma oportunidade: como comunicar com uma geração que exige autenticidade, participação e propósito?
Novas Regras da Comunicação Digital
Já não basta promover produtos — é preciso contar histórias relevantes, dar espaço à criatividade dos utilizadores e dialogar com comunidades específicas. Algumas marcas já começaram a colaborar com criadores de conteúdo de nicho, adaptar-se ao ritmo e à linguagem do TikTok e, acima de tudo, deixar de falar para os jovens e começar a falar com eles.
Exemplos desta abordagem são a Ryanair e a Duolingo. A companhia aérea irlandesa apostou num tom de humor autodepreciativo, respondendo a comentários com sarcasmo e memes, e utilizando filtros populares (como o dos “olhos e boca”) para dar vida aos seus aviões. O resultado é uma marca mais próxima, divertida e inesperadamente humana. Já a Duolingo transformou a sua mascote, a coruja verde, numa verdadeira estrela viral. O conteúdo da marca é irreverente, mergulhado em trends e no chamado humor caótico que tanto ressoa com a Geração Z — uma mistura de nonsense, autenticidade e autorreferência que capta a atenção sem esforço aparente.
Estas estratégias mostram como a comunicação digital evoluiu: não se trata apenas de estar presente nas plataformas, mas de saber habitá-las com fluência cultural e criatividade genuína. No fundo, o TikTok não mudou apenas o que consumimos, mas também quem somos enquanto criadores e contadores de histórias. A Geração Z está no centro dessa revolução e as marcas que se querem manter relevantes para esta geração têm de a acompanhar.
Fontes
https://imagination.com/latest/turning-gen-z-into-creators-through-experiences/
https://observador.pt/opiniao/o-tiktok-tornou-nos-todos-contadores-de-historias/
https://www.inc.com/marla-tabaka/forget-millennial-purchasing-power-gen-z-is-where-its-at.html
https://buffer.com/resources/tiktok-algorithm/#what-is-the-tiktok-algorithm
https://www.fastcompany.com/91260818/5-ways-tiktok-profoundly-changed-the-culture
https://wr1ter.com/manual/the-rise-of-tiktok-a-socio-cultural-analysis
Autora: Raquel Rosinha
Agência: Papori-Get Social
Data: Julho 25