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Atualidades

O Mito da Autenticidade nas Marcas

Num mercado onde todas as marcas querem "parecer reais", a autenticidade tem de ser uma decisão estratégica.

O boom da “autenticidade”

Autenticidade tornou-se uma buzzword quando se fala de marcas.
Um briefing de estratégia de comunicação? Autenticidade.
Um moodboard de branding? Autenticidade.

Não há marca que não queira ser autêntica. Mas o que torna esta palavra tão desejada no mundo do branding e da comunicação?

Autenticidade é a qualidade do que é autêntico, verdadeiro, aquilo que não sofreu alteração, adulteração ou corrupção. No entanto, no contexto atual, esta definição ganha novas camadas de significado.

Com o crescimento exponencial da inteligência artificial, as pessoas estão cada vez mais expostas à dúvida do que é real. Existe hoje uma consciência coletiva de que, a qualquer momento, podemos estar a ser enganados por uma imagem, um vídeo ou um texto que parecem verdadeiros mas foram gerados por tecnologia.
Perante o volume massivo de conteúdo a que somos expostos diariamente, surge o “cansaço do fake”. E, como consequência direta, o verdadeiro passou a ter mais valor. O autêntico tornou-se fundamental.

Neste cenário, o que é humano começa a ser percebido como sinónimo de verdade. O gesto imperfeito, a falha, a espontaneidade, tudo aquilo que denuncia a presença de uma pessoa, ganha relevância. Mas é também aqui que surge uma armadilha para muitas marcas.

Autenticidade em pessoas VS autenticidade em marcas

Quando falamos de autenticidade em pessoas e em marcas, estamos a falar de conceitos próximos, mas não idênticos.

Para uma pessoa, autenticidade implica coerência entre o que pensa, sente e faz. Vulnerabilidade e imperfeição são vistas como sinais de verdade.
Para uma marca, autenticidade significa alinhamento entre discurso, ações e experiência do consumidor. Enquanto a autenticidade pessoal aceita contradição, a autenticidade de marca tende a puni-la.

É precisamente neste ponto que muitas marcas falham: quando autenticidade passa a ser confundida com improviso.

Autenticidade estratégica vs. autenticidade improvisada

Autenticidade não nasce de campanhas criativas de última hora. Não é espontaneidade desorganizada nem ausência de planeamento. É o resultado de um posicionamento claro, valores definidos e consistência ao longo do tempo. Surge da estratégia, da cultura interna e do alinhamento entre o que se diz e o que se faz.

Ser autêntico não é falar tudo nem expor todos os bastidores sem critério.
Autenticidade não é ausência de filtro. É consciência de impacto.

Marcas autênticas entendem que cada mensagem molda perceção, reputação e relação com o público. Por isso escolhem o que comunicar sem perder a essência. Não se trata de transparência absoluta, mas de verdade intencional.

 

Resumidamente

AUTENTICIDADE ESTRATÉGICA

  • Valores claros
  • Tom consistente
  • Planeamento editorial
  • Ações alinhadas com discurso
  • Consistência ao longo do tempo

AUTENTICIDADE IMPROVISADA

  • Publicações sem direção
  • Mudança constante de tom
  • Falta de responsabilidade
  • Reatividade em vez de intenção

 

Autora: Raquel Rosinha
Agência: Papori - Get Social
Data: Fevereiro 26


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