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Atualidades

Criatividade na Era da Inteligência Artificial

Já ouviste falar de FOBO? Se trabalhas numa área criativa, provavelmente já o sentiste.

Já ouviste falar de FOBO?

Se trabalhas numa área criativa, provavelmente já o sentiste.

FOBO, “Fear of Becoming Obsolete”, é um medo cada vez mais presente nos ambientes de trabalho. Com o avanço da Inteligência Artificial, plataformas como MidJourney, Firefly ou Runway podem parecer uma ameaça cada vez mais real, particularmente para profissionais das áreas criativas.

Enquanto designer não sou imune ao FOBO e sei que a Inteligência Artificial vai transformar o panorama da profissão. Teremos de nos adaptar a novas ferramentas (tal como já aconteceu, por exemplo, quando surgiram plataformas digitais); ainda assim, estou confiante que a profissão continuará a ser necessária, isto porque há uma questão central neste paradigma: a criatividade.

Criatividade Humana VS Criatividade Artificial

“Existing theories of creativity support the conclusion that AI is not and cannot be authentically creative” (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2713374523000225)

É verdade que a inteligência artificial consegue obter resultados originais, no entanto, seria redutor considerar que originalidade é sinónimo de criatividade. Algo pode ser original e, ainda assim, não ter valor ou relevância para o contexto, ou seja, não ser uma solução eficaz. Por outro lado, também não seria realista assumir que a IA é incapaz de apresentar soluções eficazes.

Fica então a questão: que argumentos restam para defender a ideia de que a Inteligência Artificial não deve ser considerada criativa, mas sim pseudo-criativa?

A resposta surge olhando para o processo e não apenas para o produto ou resultado. Ao falar de processo criativo humano não podem escapar conceitos como motivação intrínseca, problem finding (que inclui identificação, definição, formulação e construção do problema), escolha e intenção. Tudo isto pode ser condensado em dois conceitos chave: intencionalidade e autenticidade.

“The authentic individual expresses ideas and feelings without manipulating them for the sake of others. It may be that AI can avoid filters, but there is no self to express, so no possibility of authenticity.” (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2713374523000225)

Por isso, mantenho a opinião de que as áreas criativas só estão verdadeiramente ameaçadas pela Inteligência Artificial para quem se recusa a aceitá-la como ferramenta que, como muitas outras, exige um investimento na adaptação da nossa parte.

Na Masterclass da Astrolab com o Alex Rodrigues (Creative Director e Head of AI Creative Content na Saatchi & Saatchi), onde apresentou parte do seu trabalho com IA e refletiu sobre como a publicidade está a adaptar-se a estas tecnologias, uma coisa ficou clara: cultivar bom gosto é mais importante do que nunca. O bom gosto será o fator diferenciador na qualidade de um trabalho desenvolvido com Inteligência Artificial.

Isto levanta a questão: Mas o que é bom gosto? Não dizem sempre que "gostos não se discutem"? Que é uma questão de preferência pessoal, relativa?

Mas afinal… o que é “bom gosto”?

Analisando a questão, especialmente do ponto de vista do design, percebemos que há padrões comuns de beleza e qualidade entre áreas muito diferentes. Como escreve Paul Graham:

“É surpreendente o quanto as ideias de beleza de diferentes áreas têm em comum. Os mesmos princípios de bom design aparecem repetidamente.” (https://www.paulgraham.com/taste.html)

Como por exemplo: o bom design é simples e intemporal, tal como as melhores fórmulas matemáticas. O bom design é sugestivo como os livros da Jane Austen com descrições mínimas que ativam a nossa imaginação. O bom design parece fácil como os atletas de alta competição fazem os respetivos desportos parecerem fáceis.

É então possível perceber que gosto não é apenas uma preferência, mas sim um reconhecimento de skill e mérito, é um músculo que tem de ser trabalhado.

Algumas estratégias para desenvolver o bom gosto envolvem identificar quem consideramos que tem bom gosto (tanto na nossa área profissional como fora dela), imergirmo-nos nos seus valores e analisar conteúdos, não apenas consumi-los, mas sim tentar identificar o que nos cativou num projeto X ou porque é que considero um projeto bom/mau.

Por outras palavras, todo o trabalho criativo depende de gosto e skill. O gosto define a visão, e as skills ajudam a executá-lo. Se o gosto não estiver um passo à frente das skills, o que Ira Glass chama de creative gap, o trabalho estagna e o risco de nos tornarmos obsoletos cresce.

Ou seja, se não adaptarmos as nossas skills à Inteligência Artificial e não cultivarmos ativamente o nosso gosto, FOBO pode mesmo tornar-se realidade.

Inteligência Artificial como ferramenta de trabalho

Algumas formas como a Inteligência Artificial pode ser utilizada no estímulo da criatividade inclui:

  • Identificação de padrões ocultos: ao analisar grandes quantidades de dados pode revelar conexões úteis para o desenvolvimento de novas ideias;
  • Visão macro: a capacidade de sintetizar e organizar informações dispersas pode apresentar novas associações complexas entre áreas distintas;
  • Orientação de experiências: ao prever resultados com base em dados anteriores, podem surgir novas soluções e eliminar possíveis abordagens ineficazes;
  • Automação e Ampliação: ao automatizar tarefas repetitivas e melhorar habilidades, cria novas oportunidades e melhora eficiência;
  • Democratização do Design: possibilita uma participação mais ampla nos processos criativos.

“After all, AI doesn’t invent culture on its own — it learns from the ideas, artistry and hard work of real people.” (https://medium.com/the-year-of-the-looking-glass/d7d9f069f0b2)

 

Fontes

https://www.weforum.org/stories/2024/02/ai-creative-industries-davos/

https://www.weforum.org/stories/2023/12/ai-fobo-jobs-anxiety/

https://www.weforum.org/stories/2025/01/artificial-intelligence-must-serve-human-creativity-not-replace-it/

https://www.weforum.org/stories/2023/02/ai-can-catalyze-and-inhibit-your-creativity-here-is-how/

https://www.forbes.com/sites/dianehamilton/2025/03/03/what-is-fobo-how-to-stay-relevant-and-not-become-obsolete-at-work/

https://medium.com/@axel.schwanke/generative-ai-never-truly-creative-68a0189d98e8

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2713374523000225

https://medium.com/the-year-of-the-looking-glass/1993cd56e9ac

https://medium.com/the-year-of-the-looking-glass/e4ebc15d5d36

https://medium.com/the-year-of-the-looking-glass/on-taste-part-3-d7d9f069f0b2

https://www.paulgraham.com/taste.html


Autora: Raquel Rosinha
Agência: Papori-Get Social
Data: Novembro 25


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