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Atualidades

As IAs estão a matar o Google?

Não, apenas estamos a deixar de pesquisar para começar a perguntar!

Durante mais de duas décadas, habituámo-nos a pesquisar na internet de uma determinada forma. Tínhamos uma dúvida, abríamos o Google, escolhíamos algumas palavras-chave, analisávamos os primeiros resultados e abríamos dois ou três sites à procura da resposta. Aliás, aprendemos a falar com o Google.

Se quiséssemos passar férias na Galiza, escrevíamos qualquer coisa como: “Galiza, férias família agosto, termas”
Hoje, podemos simplesmente perguntar: “Quero passar uma semana na Galiza, em agosto com duas crianças. Já temos alojamento, gostamos de sítios autênticos, com natureza, termas, rios, mas também queremos praia com surf. Temos um orçamento de X. Que roteiro sugeres?”
Parece uma pequena diferença. Mas não é…Estamos a deixar de pesquisar para começar a perguntar.

A Inteligência Artificial está a alterar a nossa relação com a informação.
Durante anos, fomos nós que aprendemos a adaptar a nossa linguagem às máquinas. Retirávamos palavras, simplificávamos frases e procurávamos as
keywords certas. Agora, são as máquinas que começam a adaptar-se à nossa linguagem. Podemos explicar um problema, acrescentar contexto, colocar condições, fazer uma segunda pergunta ou pedir uma alternativa.

A pesquisa transforma-se numa conversa.
Significa isto que a IA está a matar o Google? Os números dizem claramente que não.
Em 2026, o Google continua a representar cerca de 90% do mercado mundial dos motores de pesquisa. Mas, ao mesmo tempo, plataformas como ChatGPT, Claude, Gemini ou Perplexity estão a criar novos hábitos de procura. E o próprio Google percebeu a mudança.

O Google também se está a transformar em IA
Os AI Overviews, os resumos gerados por Inteligência Artificial que aparecem no topo de muitas pesquisas Google, já são utilizados por milhares de milhões de pessoas. E o comportamento começa a mudar.
Um estudo do Pew Research Center verificou que, quando não existe AI Overview, cerca de 15% das visitas ao Google resultam num clique num resultado tradicional. Quando aparece um AI Overview, esse valor desce para 8%, e apenas cerca de 1% resulta num clique numa das fontes apresentadas dentro do próprio resumo.
Porquê?
Provavelmente porque, muitas vezes,
já encontrámos a resposta que procurávamos. É um comportamento cada vez mais familiar, fazemos uma pergunta, lemos o AI Overview e seguimos em frente, easy! Não abrimos cinco sites. Não comparamos dez links. Por vezes, nem sequer fazemos um único clique.O Google não está necessariamente a perder a pesquisa. Pode estar a perder o clique.
Durante anos, pensámos o Search assim: Keywords > resultados > clique > website > resposta
Estamos progressivamente a aproximar-nos de: Intenção > pergunta > resposta > eventualmente clique E aquele “eventualmente” pode transformar profundamente a comunicação digital.

Então o SEO morreu?
Não. Os motores de pesquisa e os sistemas de Inteligência Artificial continuam a precisar de informação publicada, organizada, relevante e credível.
Um website bem construído, conteúdos de qualidade, autoridade, estrutura e relevância continuam a importar. Mas o SEO deixou de estar sozinho.
Começamos a ouvir falar de AEO, Answer Engine Optimization, GEO, Generative Engine Optimization, ou, de forma mais abrangente, AI Search Optimization. Mais siglas para decorar?
Talvez. Mas todas refletem uma transformação, já não queremos apenas que um conteúdo seja encontrado. Queremos que seja compreendido, considerado e utilizado para construir uma resposta.

E em 2027?
Imaginemos alguém a perguntar:
“Tenho uma PME industrial portuguesa com 80 colaboradores e quero começar a comunicar a nossa estratégia de sustentabilidade sem correr riscos de greenwashing. Por onde devo começar?”
Esse utilizador não está necessariamente à procura de um website.Está à procura de uma resposta. Pode fazê-lo no Google, ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity ou noutra plataforma. E essa plataforma poderá pesquisar, cruzar informação e selecionar fontes para construir uma resposta personalizada. Os próprios dados mostram esta evolução.
Segundo o Pew, apenas 8% das pesquisas com uma ou duas palavras geravam um AI Overview. Quando a pesquisa tinha dez palavras ou mais, esse valor subia para 53%.Ou seja, estamos a deixar de pensar “Que palavras devo escrever para encontrar isto?” e começamos simplesmente a perguntar: “O que quero saber?”

> Para o utilizador, é mais natural.
> Para as marcas, representa um novo desafio.
Porque talvez a grande pergunta de 2027 já não seja apenas “Em que posição aparecemos no Google?” mas “Quando alguém pergunta sobre aquilo que fazemos, será que fazemos parte da resposta?”

A Inteligência Artificial não matou o Google. Pelo contrário, o próprio Google está a tornar-se cada vez mais AI. O que parece estar a desaparecer é a fronteira entre pesquisar e perguntar.
Durante anos preparámos as marcas para serem encontradas. Agora teremos também de as preparar para serem compreendidas e escolhidas.
Como?
Fica para o próximo Pulse… 😀

 

Autora: Paula Gonçalves
Agência: Papori - Get Social
Data: Agosto 26


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